Jotabasso Entrevista: "Nós vamos ter agora a era digital, que veio para ficar".

Nesta segunda e última parte da entrevista com o presidente da ABRAPA, Arlindo de Azevedo Moura, o executivo fala sobre a imagem do agronegócio brasileiro mundo afora.

JB: qual sua visão sobre a sustentabilidade do Brasil no exterior com relação ao agro?


Arlindo Moura - Eu acho que melhorou nos últimos anos, mas era muito ruim, Brasil era conhecido como grande devastador, só desmatava, que usava mais defensivos no mundo. Para mudar isso foram feitos diversos trabalhos. Inclusive o Instituto Pensar foi muito importante nisso. Fizemos um estudo para identificar quem são os grandes
consumidores de defensivos, e constatamos que o Brasil, é o país que produz mais quilos de alimentos para cada dólar investido em produtos fitossanitários. O Brasil produz 142 kgs de produtos para cada dólar investido, Argentina 116, Estados Unidos 94, União Europeia 62, França 51 e Japão apenas 8. Essa é a medida. O Brasil consome mais porque é o maior e produz mais alimentos, essas equações que estamos divulgando.

Com relação ao meio ambiente que é outra crítica grande, um estudo da Embrapa feito recentemente revelou que o Brasil tem 66% das suas matas totalmente preservadas, então quer dizer que 2/3 do nosso país é preservado. Outra coisa
importante, desses 66% preservados, 25% disso é preservado dentro das fazendas.Pouca gente reconhece que o produtor também está cuidando da mata, para não pegar fogo, não retirar madeira, entre outros cuidados. Então essas informações são muito recentes e nós estamos divulgando, levando essas informações ao conhecimento do público.
Em função dessas informações, tem melhorado o status do país sobre sustentabilidade. A grande pergunta que a gente tinha era com relação ao desmatamento, e a gente viu que desmatamento não é problema no Brasil, porque
não tem nenhum país com 2/3 de sua área preservada.

JB: Na sua visão, quais as premissas que as empresas devem seguir na gestão dos seus negócios?

AM - Acho que a principal premissa pra um negócio é ética, governança e transparência, cada empresário tem que buscar isso, quando falo em transparência é a sua forma de negócio, não fazer nada escondido. Hoje é muito difícil fazer algo que não vá ao conhecimento do público, porque tudo é divulgado, mesmo a empresa que não seja de capital aberto, os números estão na Receita Federal, nos cadastros dos fornecedores e dos bancos, é muito transparente e
acho que este é um grande princípio.
Fora isso, a relação com funcionários, a relação com clientes e fornecedores, acho que tem que ser cada vez mais intensa, não tem mais espaço para conviver sem um bom relacionamento claro e transparente.

JB: Em relação a agricultura digital, de que forma ela auxilia a gestão e a transformação dos modelos de produção do agro?
AM - Esse é o futuro da agricultura, eu tenho certeza que nos próximos 10 anos tudo que nós fazemos hoje será obsoleto. Nós vamos ter uma revolução muito grande, assim como tivemos a Revolução Industrial e a Revolução Verde, nós vamos ter agora a era digital, que veio para ficar. Já passamos por agricultura de precisão, hoje é a era digital que não tem mais volta, vamos ter máquinas autônomas todas integradas num sistema de controle que pode ser feito do escritório ou da própria casa. O Brasil ainda tem grandes problemas de comunicação para avançar rapidamente, como eu faço a
informação sair da lavoura e chegar ao computador?  Nos Estados Unidos é tudo 4G em todo lugar que você vá tem comunicação. Vamos ter que viabilizar isso. Ela veio pra ficar, os produtores terão que se engajar nisso, porque é uma realidade sem volta.

Leia a primeira parte da entrevista, clicando aqui.