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A segunda reportagem da série “Supersafra”, os repórteres Roberto Kovalick e Thiago Capelle mostram o embate entre agricultura e pecuária com a mata nativa. A reportagem mostra também como a tecnologia pode ajudar tanto na diminuição do desmatamento quanto no aproveitamento da área plantada.

O que ajuda a lavoura a crescer vem do céu e não é só a chuva. Os drones fazem imagens espetaculares, porque conseguem chegar onde é quase impossível. Como no meio de uma lavoura, sem pisar em nenhum pé de soja. Os drones são orientados por GPS, usam sensores de luz infravermelha para fazer um raio X das plantas e descobrir doenças no lugar exato da lavoura.

Em vez da mão calejada pela enxada, agricultor agora precisa de sensibilidade nos dedos. Por isso, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural criou o curso de piloto de drone. “Eu quero utilizar essa tecnologia, a questão de imagens, pra gente verificar a questão de praga, fertilidade de solo, macha de solo e, a partir daí, agregar a solução que eu preciso pra nossa propriedade cada vez mais produzir”, conta a engenheira agrônoma, Luana Belusso.

A tecnologia no campo ajuda. É como um carro de luxo: ar-condicionado, rádio, frigobar e painel touch screen. Controle da colheita na ponta dos dedos. “Eu me refiro como se fosse uma verdadeira indústria ambulante. Ela é capaz, durante o movimento de cortar o pé de soja, recolher, colocar nessas esteiras, passar para dentro da máquina, separar a vagem, todo material de soja do grão, colocar em cima do graneleiro e jogar em cima do caminhão. Tudo isso ao mesmo tempo e fornecendo informações como quantidade, umidade e o local onde ela retirou essa soja”, afirma o agricultor Marcelo Vankevicius.

Tudo é medido e calculado para que cada planta produza mais e não haja desperdício. É a chamada agricultura de precisão. O drone mostra do alto uma plantação milimetricamente perfeita, resultado de tecnologia e conhecimento, em grande parte desenvolvido pela Embrapa, uma empresa pública, criada há mais de 40 anos.

A empresa foi responsável por desenvolver sementes adaptadas ao nosso clima e transformar em produtivo o solo do cerrado, considerado pobre.

No Rio Grande do Sul, a produtividade também aumentou. Em uma fazenda de arroz, em São Sepé, eram colhidos nove mil quilos por hectare há 35 anos, quando a família começou na plantação. Hoje, são 15 mil, bem acima da média do mercado.

Polêmica
O crescimento da agricultura teve muitas polêmicas. O uso de agrotóxicos mais do que dobrou em uma década e o plantio de sementes transgênicas: 95% da soja e 87% do milho são produzidos a partir de sementes geneticamente modificadas.

De um lado a agricultura e a pecuária, do outro uma área mais escura, a mata nativa, uma vizinhança cheia de conflitos. Conforme a fronteira agrícola avançou, a floresta perdeu terreno. O Brasil quer aumentar a produção de alimentos, mas será possível fazer isso sem que lugares nativos desapareçam da paisagem?

O desmatamento era muito alto até 2004, quando uma área de floresta equivalente ao estado de Alagoas sumiu naquele ano. A derrubada de árvores caiu nos anos seguintes por causa de iniciativas como o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento do Governo e a Moratória da Soja, um acordo com grandes empresas para não comprar soja plantada de áreas desmatadas, mas a derrubada da floresta voltou a crescer nos últimos dois anos.

“O que é alarmante, um farol vermelho se acendeu de novo na Amazônia. Além disso, há o desmatamento mais invisível e que precisa entrar nas estatísticas brasileiras, do cerrado. O desmatamento do cerrado está chegando a 7 mil km por ano, que junto com o do Amazônia voltou a entregar ao Brasil a taxa de campeão mundial do desmatamento”, afirma Paulo Adario, especialista em florestas do Greenpeace.

O presidente da Embrapa diz que o Brasil pode dobrar a sua produção de alimentos investindo apenas em tecnologia e conhecimento. É um desafio para o Brasil: produzir mais sem destruir a natureza. Como? Uma ajuda do céu é bem-vinda, em forma de chuva ou de tecnologia.

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